Amazona a recuperar a confiança na sela

Medo a cavalo: como recuperar a confiança sem se forçar

Recuperar a confiança a cavalo não consiste em calar o medo à força de vontade. Pode cerrar os dentes, terminar um exercício e dar a impressão de que «já passou». Mas, se o corpo continua em alerta e cada sessão se torna uma prova, a confiança não está verdadeiramente a reconstruir-se.

A boa notícia é que não precisa de regressar imediatamente ao nível de antes. Pode avançar de outra forma: gradualmente, com referências claras e sem se julgar.

A confiança não é a ausência de medo

Ter confiança não significa nunca hesitar. Significa sentir que consegue observar o que se passa, tomar uma decisão e pedir ajuda se a situação ultrapassar o que consegue gerir com serenidade.

O medo pode continuar em segundo plano, ocupando menos espaço. Deixa então de dirigir toda a sessão. É muitas vezes assim que a confiança regressa: não de uma só vez, mas através de experiências suficientemente seguras e compreensíveis.

Comece por nomear exatamente o que o preocupa

«Tenho medo a cavalo» pode ser demasiado amplo para ser útil. Tente identificar o momento exato em que surge a tensão:

  • ao montar ou ao instalar-se na sela;
  • quando o cavalo acelera;
  • ao pensar em sair sozinho para o exterior;
  • perante um obstáculo ou numa linha;
  • com um cavalo imprevisível ou que conhece pouco;
  • sob o olhar de um instrutor, de um grupo ou do público;
  • desde uma queda, uma recusa, uma partida brusca ou uma má experiência.

Quanto mais preciso for o medo, mais possível se torna construir uma resposta adequada. Uma apreensão ligada à velocidade não se trabalha da mesma forma que o medo do julgamento ou a recordação de uma queda.

Construa uma escada, não um grande salto

Imagine várias situações ordenadas da mais tranquilizadora à mais difícil. A primeira deve ser quase confortável; a última corresponde ao que o bloqueia hoje.

Consoante a situação, essa escada pode começar com alguns minutos no chão, continuar com uma sessão a passo junto de alguém de confiança e depois com um exercício familiar a trote, antes de avançar para o que mais o impressiona.

Escolha uma etapa que provoque alguma apreensão, mas ainda lhe permita respirar, escutar e decidir. Se já se sente ultrapassado antes de começar, a etapa é provavelmente demasiado grande. Reduzi-la não é recuar: é tornar a aprendizagem possível.

Repita antes de aumentar a dificuldade

Uma sessão bem-sucedida pode tranquilizar, mas a confiança torna-se mais sólida quando a experiência se repete. Não precisa de acrescentar uma dificuldade de cada vez.

Voltar várias vezes a um exercício simples, reencontrar as mesmas sensações e constatar que sabe o que fazer pode parecer pouco espetacular. Mas é isso que transforma um sucesso isolado numa nova referência.

A progressão nem sempre é linear. Um dia de cansaço, uma mudança de cavalo, tempo instável ou uma sessão anterior difícil podem fazer regressar a apreensão. Isso não apaga o trabalho já realizado.

Escolha condições que realmente o ajudem

O cavalo, o acompanhamento, o local e a hora do dia contam. Para reconstruir, tem o direito de escolher uma montada conhecida, um espaço fechado, uma sessão mais curta, um exercício familiar ou alguém com quem possa dizer «pare» sem ter de se justificar.

Também pode verificar calmamente o material e usar as proteções adequadas à sua prática. Criar um enquadramento tranquilizador não é fazer batota: é retirar ruído para poder trabalhar a verdadeira questão.

Quando o medo aumenta durante a sessão

Em vez de se ordenar que deixe de ter medo, volte a algumas ações concretas:

  1. abrande ou regresse a um andamento em que consiga pensar;
  2. prolongue a expiração e relaxe conscientemente as mãos, o maxilar e os ombros;
  3. olhe em redor para recuperar referências no espaço;
  4. diga em voz alta o que precisa: uma pausa, uma instrução mais simples, alguém no centro do picadeiro;
  5. desmonte se já não se sentir em segurança. Isso não transforma a sessão num fracasso.

O objetivo não é continuar a qualquer custo. É manter margem para fazer escolhas.

Redefina o que é uma sessão bem-sucedida

Quando a confiança é frágil, medir apenas a altura saltada, a duração do passeio ou a dificuldade do exercício pode facilmente manter a pressão.

Uma sessão pode ter corrido bem porque pediu para abrandar no momento certo, explicou o medo, recuperou uma respiração mais calma, executou bem um exercício ou parou antes de entrar em dificuldade. Estes sucessos são menos visíveis, mas constroem uma prática mais sustentável.

E se o cavalo contribuir para o problema?

O medo de quem monta não explica tudo. Uma mudança de comportamento, reações invulgares, possível dor, material inadequado ou uma dificuldade técnica devem ser examinados seriamente. Não se trata de o convencer de que tudo vem da sua mente.

Procure o apoio de alguém qualificado que possa observar o binómio, o cavalo e o contexto. Recuperar a confiança torna-se muito difícil se a situação continuar objetivamente confusa ou inadequada.

Não tem qualquer prazo

Não tem de provar que «voltou» num número exato de sessões. Comparar-se com a pessoa que era antes a cavalo, ou com alguém que não viveu a mesma experiência, acrescenta pressão que não ajuda.

Se o medo estiver ligado a um acontecimento traumático, provocar reações de pânico ou ultrapassar muito o âmbito da equitação, um profissional de saúde também pode ajudar. Pedir esse acompanhamento não retira nada à sua coragem.

Avançar sem se forçar não é desistir

É escolher uma progressão que o corpo e a mente consigam realmente integrar. A confiança não precisa de ser espetacular para ser sólida. Por vezes, vê-se num pormenor: uma mão que relaxa, uma decisão tomada mais cedo, uma sessão encurtada sem culpa ou a vontade de regressar da próxima vez.

Se o medo o faz duvidar do seu lugar a cavalo, leia também «Ter medo a cavalo: e se fosse normal?». E, se o olhar dos outros lhe pesa, o nosso artigo «Como deixar de sentir que monta mal» ajudará a dar às dificuldades a sua verdadeira dimensão.

Em caso de dúvida sobre a sua segurança ou a do cavalo, peça a opinião de um profissional qualificado que possa observar a situação no local.

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