Cavaleira a cavalo com um colete airbag de equitação AXION Equestrian

Ter medo a cavalo: e se fosse normal?

Ter medo a cavalo não significa que monte mal. O medo pode afetar quem está a começar e quem já tem experiência, surgir depois de uma queda ou aparecer sem um acontecimento marcante. Pode estar relacionado com a velocidade, os saltos, os passeios no exterior, um cavalo específico, o olhar dos outros ou simplesmente a ideia de já não conseguir como antes.

Muitas pessoas escondem-no por vergonha. No entanto, reconhecê-lo é muitas vezes o primeiro gesto verdadeiramente corajoso: passa a ser informação a compreender, não uma falha a esconder.

O medo não apaga o que sabe fazer

A técnica, a experiência e a sensação de segurança nem sempre progridem ao mesmo ritmo. Pode saber exatamente o que fazer e já não conseguir fazê-lo com a mesma fluidez. Também pode sentir-se à vontade num dia e vulnerável no seguinte.

Isto não significa que o seu nível tenha desaparecido. O cansaço, uma fase de stress, uma nova montada, várias pequenas dificuldades ou um comentário magoante podem alterar as suas sensações. O medo não é uma avaliação do seu valor.

Porque pode aparecer quando tudo corria bem?

Nem sempre é necessário ter vivido um acidente grave. A apreensão pode instalar-se após:

  • uma queda ou um incidente que parecia «sem consequências»;
  • várias sessões em que não se sentiu ouvido ou com controlo;
  • uma mudança de cavalo, cavalariça, disciplina ou acompanhamento;
  • uma fase de cansaço, dor ou carga mental;
  • reações do cavalo que ainda não compreende;
  • pressão repetida para ir mais depressa, saltar mais alto ou fazer melhor do que os outros.

Por vezes, a relação com o risco evolui simplesmente com o tempo. Ter maior consciência das possíveis consequências não diminui a sua paixão. Pode convidá-lo a praticar com outras referências.

Escutar o medo não significa obedecer-lhe cegamente

Nem todo o medo anuncia um perigo imediato, mas todo o medo merece ser analisado. Antes de tentar ultrapassá-lo, faça algumas perguntas:

  • a situação é objetivamente adequada ao meu nível e ao do cavalo?
  • compreendo o que me pedem e porquê?
  • posso abrandar, fazer uma pausa ou recusar sem ser humilhado?
  • o meu cavalo apresenta dor, desconforto ou um comportamento invulgar que deva ser verificado?
  • preciso de um exercício mais simples, de outro acompanhamento ou apenas de descanso?

Esta verificação evita dois erros: desvalorizar uma situação realmente inadequada ou considerar automaticamente qualquer apreensão como prova de que deve parar.

Não tem nada a provar

A coragem nem sempre é ultrapassar o obstáculo. Pode ser pedir que o baixem, ficar a passo, escolher um cavalo mais adequado, explicar que ainda não se sente preparado ou desmontar antes de a situação o ultrapassar.

«Vai, isso passa» pode por vezes encorajar. Não é uma resposta universal. Um medo persistente precisa de escuta, progressividade e factos tranquilizadores, não de mais vergonha.

Ninguém deve troçar de si, compará-lo publicamente ou usar a sua ligação ao cavalo para lhe provocar culpa. Uma pedagogia exigente pode continuar a ser profundamente respeitadora.

Seis referências para recuperar espaço

  1. Nomeie o medo com precisão. «Tenho medo quando o cavalo acelera na aproximação» é mais útil do que «tornei-me medroso».
  2. Reduza o objetivo. Procure uma etapa que consiga viver mantendo a capacidade de escutar e decidir.
  3. Volte ao que é familiar. Uma montada conhecida, um exercício dominado ou um ambiente calmo podem recriar referências.
  4. Explique de que precisa. Peça uma instrução de cada vez, uma pausa ou a presença de alguém de confiança.
  5. Registe os pequenos sinais. Menos tensão, uma decisão tomada mais cedo ou uma sessão terminada com serenidade contam.
  6. Pare antes da saturação. Terminar com algo simples e compreendido é muitas vezes mais construtivo do que continuar até à exaustão.

O seu cavalo não precisa de perfeição

O seu cavalo precisa, sobretudo, de sinais tão claros quanto possível, de um enquadramento coerente e de decisões que respeitem a segurança de ambos. Julgar-se com dureza não torna as suas ajudas mais claras.

A tensão pode alterar a respiração, a postura ou as mãos. Reconhecê-lo não é motivo para se culpar. É um ponto de partida para simplificar a situação, pedir uma perspetiva externa e recuperar disponibilidade.

Quando deve procurar mais acompanhamento?

Se o medo se intensifica, o impede de montar há muito tempo, provoca reações de pânico ou surge após um acontecimento traumático, não o enfrente sem apoio. Um instrutor respeitador, um profissional do comportamento equino ou um profissional de saúde podem intervir em aspetos diferentes.

Pedir ajuda não demonstra fraqueza. Demonstra que leva a sério a sua segurança, o seu prazer e a qualidade da relação com o cavalo.

O medo não lhe retira o seu lugar na equitação

Não tem de merecer esse lugar por ser destemido. Pode gostar profundamente de montar e atravessar uma fase de dúvida. Pode alterar objetivos, abrandar ou reconstruir de outra forma sem trair a pessoa que era a cavalo.

Para passar desta compreensão a etapas concretas, continue com «Medo a cavalo: como recuperar a confiança sem se forçar». Se é sobretudo o olhar dos outros que o afeta, leia «Como deixar de sentir que monta mal».

O medo não é o fim da sua história a cavalo. Pode tornar-se o momento em que começa a montar com mais escuta, acerto e respeito por si.

Em caso de dúvida sobre a sua segurança ou a do cavalo, peça a opinião de um profissional qualificado que possa observar a situação no local.

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